§ 7

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apenas por sete toques era preciso dividir para conquistar.

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- qual o seu nome?
- como?
- qual o seu nome?

muito nova / eu / seminovo

ela me responde ao pé do ouvido, algo completamente improvável. penso que aquele nome é obra do amor no silêncio branco, sem censura, da maternidade. resultado imprevisível como o gelo seco. 

medo de ter sido deixado para trás como o último
a saber escrever ou sofrer
detentor da evidência de que são o mesmo

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alguma reciprocidade deveria ser a lei das aproximações. mesmo as prosaicamente amicais. como os portugueses aos índios. sentar-se um pouco perto. abandonar um biscoito de chocolate no meio do caminho. aproximar-se. andar-se com o bumbum até a distância em que os ouvidos se escutam a despeito do intrínseco barulho. por fim, esta seria uma boa lei.

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pronto, é isso. ele não se intimida com nada. não sentiria esta aura dos fracos diante de uma cena de tortura e solidão. fico assim pela imprudência. a culpa é toda minha.

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depois de muito olhar
buscando correspondência
entre aquele cenário conhecido
& algum objeto perdido em sua  alma
-
nada, nada, nada
apenas dentro de si
isso basta

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- mas quando força faltava?
- por que escrevia?
- sim, como podia?
- quando faltava, ora, era isso o que eu fazia.
- mesmo quando chovia ou fervia?
- ainda assim era o que me vinha.
- noite e dia?
- lua cheia ou vazia.
- hediondo, hediondo, por que no seu olho com violência não se cuspia?
- pode ser porque era noite estando nu debaixo da escada, talvez porque tremesse, enquanto ela mesma ria.
- mas se o riso dela ela nobre, interrompível? sem grafos, mesmo foscos. patifaria?
- diz que porque eu era governado é ninharia?
- mais, seu olho como bola de gude, iguaria.
- e se para o alto?
- a cuspida?
- a cusparada ou a vida?
- posto ser vício?
- posto ser vício, eu, com ela, pagaria.

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